Mis palabras / As minhas palavras – Un poema de Sara Oportus
Overview
Mis palabras / As minhas palavras [Poema]
***

***
Mis palabras
Bajo mi cabeza:
¡qué pobladas vienen!
Reveladas,
valientes, certeras,
temerarias, porfiadas,
férreas y nunca distraídas,
tercas y siempre desordenadas,
invencibles nunca vacilantes.
Tan minúsculas como imperceptibles.
Vienen hasta mis manos,
alojándose
fondo
abajo,
en mi lengua,
atraviesan súbitamente mis transparentes ojos,
interrumpen una y otra vez,
invaden con zozobra,
contonean mi garganta,
basculan ,
se pliegan,
y vienen.
Bajo
mi cabeza,
qué pobladas vienen,
plegándose están a mi cuerpo,
arrojadas, decididas,
irrumpiendo vienen a mis manos,
de un solo golpe las quiero para mí.
Una sola voz me bastaría para alcanzarlas,
lúcidas y volátiles
fecundarlas en mi boca,
expandirlas en el espacio
y por fin darles un lugar.
Y es que castrada me duelo.
Porque YO,
DECIR,
no sé.
*
As minhas palavras
Baixo a minha cabeça,
quão povoadas vêem!
Reveladas,
corajosas, certas,
temerárias, teimosas,
ferras e nunca distraídas,
birrentas e sempre desarrumadas,
invencíveis nunca vacilando.
Tão pequenas quanto imperceptíveis.
Vêem para as minhas mãos,
Alojando-se
fundo
abaixo,
na minha língua,
passam de repente pelos meus olhos transparentes,
Interrompem de novo e de novo,
Invadem com soçobro,
mexem a minha garganta,
basculam,
se dobram,
e eles vêem,
Baixo
a minha cabeça,
quão povoadas vêem.
Estão a dobrar-se ao meu corpo,
arrojadas, determinadas,
invadindo, chegam às minhas mãos.
De uma só vez, quero-os para mim,
uma só voz bastaria para eu as alcançar,
lúcidas e voláteis.
fecunda-as na minha boca,
expandi-las no espaço
e finalmente dar-lhes um lugar.
É que castrada eu doome.
Porque eu,
DIZER,
Não sei.
[Traducción al portugués a cargo de la propia autora]
*
Poema escrito en el Tereatro [Santiago de Chile]. Forma parte de Ablación, 2016. Inédito.
***
Sara Oportus
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